sexta-feira, 15 de maio de 2009

Frotté de poudre d'or

"le soleil disparu avait laissé le ciel tout rose de son passage, frotté de poudre d'or"
Guy de Maupassant


Riscado de pó d'ouro. O céu é de fato a coisa que mais me facina. Tão raro ter tempo para admirá-lo, durmo com a cortina levantada para com ele adormecer e com ele acordar. Às vezes a lua visita minha janela, às vezes cheia as vezes bem miguantezinha, às vezes nao tem lua - só estrelas, tem vez que nem estrela aparece - o céu fica dominado por um vermelho terra e em pouco tempo se desmancha em águas, como alguém com ódio instenso, nessas ocasiões costuma gritar e destruir.
Nada como acordar com o céu azul, céu de brigadeiro, como costuma dizer minha mãe, sem nuvens, sem algodões, se bem que sinto falta dos tempos de criança deitada na grama dando formas às nuvens. Tempo bom de despreocupaçao - tempo de tempo de olhar o céu. Céu azul claro, céu preto, céu vermelho terra, céu rosa - fazendo juz à citaçao - o céu de fim de tarde, aquele de namorar na praça, nas dunas, até mesmo naquele engarrafamento descendo a raja, aquele céu que vale a pena ficar namorando no retrovisor. Céu rosa riscado de pó de ouro, o céu que faço questao de dar meu tempo em troca dele - pena que nao tenho tido tempo pra lembrar que se eu der meu tempo posso tê-lo nos dias de céu rosa - quero tempo pra lembrar do tempo...

Um comentário:

  1. Sinto o céu cor de rosa.
    E eu quero tempo para pensar.
    Quero solidão para divagar.
    Quero consolo para me acalmar.
    Quero um abraço e quero afagar.

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